
Acabaram os argumentos.
Devanear sobre o nada é o que me resta. Pintar os fantasmas. Viver das aparências alheias. Fantasiar a boa vida que eu não tive.
Acabou a guerra.
Tanta batalha perdida em vão, tantas baixas... Tantos soldados tão jovens tendo seus sorrisos apagados por tantas lembranças tristes. E eu, eu mais morta do que todos eles.
Acabou o dia.
A escuridão está sob os meus pés... Sinto o calor do sol abandonar o céu. Não há estrelas, Mon Cher. Hoje não há estrelas no firmamento. Pinte uma para mim! Vamos! Agora! Eu ordeno!... Perdão, meu pequeno... eu não queria gritar, mas não gosto do céu desse jeito.
Acabou medo.
Não há bela rosa sem grande espinho... Não há caminho tortuoso que eu não possa atravessar. Você vem comigo, querido? Não? Acaso queres me deixar ir só? Não seja cínico, sei bem o que pensas! Vamos! Larga-me a mão que eu sei andar sozinha...
Acabou a vida.
O sol renasce mais uma vez. Estou prestes a desacordar, prestes a dormir o longo sono. Estou só, não nego. Imprudência é o anagrama do meu nome agora... O sol vai me devorar o corpo, mas tantos sentimentos ruins hão de tentar me devorar o juízo antes disso. E quando eu me encontrar com Deus, direi apenas:
“Sei bem porque me abandonaste”
Acabou.