terça-feira, 4 de outubro de 2011

3 anos do "Fala, Lyla Louca"


3 anos, mas parece que foi ontem que eu fiz minha primeira (de muitas) postagem aqui.
O blog variou, falou de música, de livros, de filmes. Teve poemas, pequenos contos, desabafos, histórias inventadas e outras reais com pinceladas de poesia, de melancolia, de eufemismos...
A quem o leu, meu muito obrigada!
Agradeço por você fazer parte deste momento.

Um forte abraço,

Lyla.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Persépolis


Dividida em quatro livros, a graphic novel autobiográfica Persépolis é um achado. Neles, a iraniana Marjane Satrapi conta sua infância, adolescência e início da adultez durante a revolução islâmica e também durante a guerra do Irã-Iraque, entre os anos de 1980 e 1988.
Satrapi nos narra as angústias de uma guerra, da falta de liberdade de expressão em um Irã dominado pelas fundamentalistas; da aflição de ser imigrante na Áustria e se sentir imigrante em seu próprio país.
Nascida numa família moderna, politizada e laica, Satrapi mostra com bom humor (e umas pitadas de inevitável drama) sua vida de rebeldia e transgressão, mas também de medo, solidão e desesperança.
Por mais distante que seja a realidade iraniana da época de nossa realidade, ainda é possível se identificar com as palavras de Satrapi, com suas indagações sobre sua própria identidade e de seus valores morais típicas de muitas fases de nossas vidas.
Persépolis merece ser lido e não apenas por falar de liberdade, por ter lindas e expressivas ilustrações em preto e branco e lidar com humor com uma temática tão difícil como a guerra, mas também por lidar com elementos constitutivos da própria condição humana.
O Irã nem nos parece mais tão distante e o livro torna-se universal.
Vale a pena dar uma conferida.

*Não assisti a adaptação para o cinema dirigida pela própria autora. O filme foi indicado ao Oscar de melhor animação em 2007.

domingo, 25 de setembro de 2011

Top versões: "Versões masculinas (muito boas) para músicas Pop feminimas" Bonus Track


Sei que já existe uma postagem com este nome (se você é leitor assíduo, deve lembrar. Se não é ou não lembra mais, clica aqui), mas essa aconteceu antes das versões magníficas da banda alemã The baseballs entrarem pelos meus ouvidos e fazerem meu cérebro liberar uma quantidade assombrosa de endorfina! Os rapazes tocam covers de artistas como 50 cent, Kate Perry, Rihanna e Lady Gaga, tudo no maior estilo Rockabilly, desde a estética da banda até os timbres de voz que nos remetem a gênios da música do estilo, nascido na década de 50, como Jhonny Cash, Jerry Lee Lewis e Elvis (The Pelvis) Presley. Um luxo só!
Claro que eu separei a melhor das versões (na minha humilde opinião, claro) do trio alemão: A versão do sucesso Umbrella , da cantora Rihanna. Vale a pena a conferida.

*Como a incorporação foi desativada do youtube, segue abaixo o link do vídeo*

http://www.youtube.com/watch?v=DM2177pHMT0

domingo, 11 de setembro de 2011

Sobre um novo olhar


Quando as pessoas passam por situações difíceis, tendem sempre a dizer que aquilo foi para um bem maior ou que aprenderam muito com a crueldade dos tempos ruins, que amadureceram, que cresceram espiritualmente e tantas outras coisas. Dizem que Nietzche diz que o que não o mata, o torna mais forte.
Eu sempre acreditei que isso fosse uma tentativa frustrada das pessoas em acharem que ganharam algo entres as perdas. Uma estranha forma de conforto.
Eu já não penso assim. Acredito que podemos aprender sim durante a dor e durante a perda. Não faz muito tempo e eu tive que viver uma das mais terríveis fases da minha vida. Vivi a raiva da dor, senti o gosto amargo dela. Chorei, chorei...
Mas depois de tudo, vejo que nada melhor poderia ter me acontecido. Se você anda sempre de cabeça erguida, não olha aqueles que estão sentados lá no chão. Mas, quando se depara com uma mínima pedrinha, você cai, então pode ver todos os que estão na mesma situação.
Passa a ver a tristeza ali, encravada no fundo do olho daquele rapazinho sorridente. Percebe quando as coisas não estão indo bem com algumas pessoas. Começa a sentir a dor que nem é sua.
Digo sempre que isso é um dom que Deus dá quando lhe tira tudo. É uma recompensa e uma forma de mostrar que existe o outro, tão esquecido por nós. De te dar o enorme prazer de ver quem as pessoas realmente são. Pode ser dolorido, não nego. Demora-se a aceitar e demanda tempo e (muitas vezes até dinheiro), mas a recompensa pode ser magníficas.
De início, a raiva nos toma conta. Depois aprendemos que nada acontece por acaso, por mais clichê que isso soe.
Espero que se você, leitor, estiver passando por algo do tipo, pese os custos e benefícios de todo o seu sofrimento e tente entender que os seres se adaptam. Acredite: Sofrer pode ser o principal meio para aprender as coisas que são realmente importantes da vida.
Ou você pode usar isso como desculpa para se conformar. Daí é por sua conta.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Gosto de mim

Eu gosto dos meus cabelos, do meu olhar perdido em noite de lua cheia, de cantar andando na rua como que num clipe de banda.
Eu gosto de música, eu respiro música, eu penso em forma de música.
E gosto do meu cinzeiro de jogos de azar e gosto de jogos de azar e acho esse lance de amar, um famigerado jogo de azar.
Gosto de crianças, de riso de criança, de olhar de criança, de barulho de criança.
E gosto do barulho dos carros, da multidão, da respiração de quem tem prazer ao te dar prazer.
Eu acho que a vida é curta, mas que cabe nela um monte de coisas boas e de coisas más.
Eu amo meu bom humor habitual e o meu mau-humor providencial.
Eu gosto de coisas caras e de sapatos e de vestidos e de cachaça com gostinho de tutti-frutti.
Eu gosto de sentar na ultima fileira do cinema e de jogar pipocas nos que sentam lá na frente.
Eu gosto de ensinar, mas acho que uma das coisas mais difíceis é aprender.
Eu gosto de gostar de muitas coisas.
E o melhor de tudo é que eu gosto do gosto de mim.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Sobre o dia em que vi Deus (Parte II)


Sobre o dia em que vi Deus (parte I)

Estava lá, sozinha, no apartamento do hospital. Neste dia não recebi visitas. Apenas a enfermeira que vinha de hora em hora para observar se o soro já havia acabado. Desolada, me pus a pensar sobre minha condição.
De repente, ouço a porta se abrir. “Decerto, é mais uma vez a enfermeira” – pensei. E contemplei o soro ainda cheio.
“Estou grogue ainda. Por favor, não me diga que estou inquieta para me aplicar mais qualquer coisa que seja. Diga ao médico que estou cansada disso!” – ensaiei meu discurso para a enfermeira. Mas não foi ela que me apareceu e sim, outra vez, o senhor robusto, bem vestido, mas sem o sombreiro. O chapeu grande foi substituído por um bem menor, mais clássico, mais charmoso. Mas que, mais uma vez, não me deixou ver seus olhos.
- O que quer comigo? – perguntei. Ele nada respondeu. Só me olhou (ou deve ter me olhado). Pôs as mãos no bolso e caminhou até a beira da cama. Desandei a falar:
- Já não é o suficiente? Veja, já não sou eu nesta cama. Meu corpo ainda pede pelo que o destrói a tremer descontroladamente. A dor me consumiu inteira, do cume da cabeça aos dedos dos pés. Não tenho nada! Chorei as águas do Gangis, tão salgadas quanto as do mar morto. Não suporto mais isso! E eu não quero seus escapulários. Você sabe o que eu quero! Não vou mais esperar. Acabou!
Ele balançou a cabeça negativamente. E num só puxão, tirou de cima do meu corpo o lençol que me cobria. Nas minhas duas mãos, os revólveres que ele me dera no passado. Tirou-os delicadamente de minhas mãos. Eu nada fiz. O que pudera eu fazer? Era Deus!
- Ainda não. – falou pondo o revólver no cós da calça que usava e cobrindo-os com o paletó.
Voltou-se para a porta e agarrou a maçaneta. Antes dele sair, gritei!
- Espere!
Sua mão pousou sobre a maçaneta e lá se manteve até eu terminar de falar:
- Eu tenho outros meios. Posso utilizá-los quando eu realmente desistir.
- É uma pena você ainda não ter aprendido nada. Eu decido a hora. - Respondeu-me sem sair da posição.
Eu olhei rapidamente para a janela. Ele, ainda na mesma posição, me disse com um certo desdém.
- O prédio do hospital não é tão alto quanto você imagina.
Então saiu. Eu nem podia me mover da cama. Os pensamentos travavam combates em minha cabeça. Minutos depois, a enfermeira entrou.
- Ainda acordada? Você está muito agitada. Vou falar com o médico. – disse ela.
E eu, virando o rosto para o escapulário que se encontrava em cima da mesinha, disse-lhe:
- Vá... e peça algo que me faça adormecer logo.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Dicas para os solteiros no dia dos namorados


Solteiros de plantão, chega de ficar lamentando que o dia dos namorados os pegou desprevinidos (para muitos, como eu, mais uma vez). É hora de presentear a pessoa que você deve amar antes de amar os outros: você mesmo. Se dê aquele presente que você gostaria de ganhar. Não importa se é caro e vai te deixar mais apertado este mês. Não poupe para quem você ama.
Rola até se dar flores e chocolates, só não aconselho o velho e bom cineminha. Além de cheio, você não quer esperar numa fila com todo mundo se beijando, né?
Mulheres, se deem um dia de beleza com direito a tudo, depois se permita vestir aquela sua camisa bem grande e ver um filminho com pipoca (só não vale romance nem dramalhão). Homens, se deem ao luxo de assistir aquele jogão (nem que seja do Asa de Arapiraca x Guaratinguetá) ou um bom video-game com aquela cerveja. (Ops, isso serve para as mulheres também).
Pensem nos pontos positivos: você está sozinho, mas tem a sua companhia e se sua própria companhia te for agradável, ahhhh você vai aproveitá-la muito bem. Se não curte esse lance de ficar sozinho, convida os amigões solteiros para uma farra de solteiros (vale até um pequeno revival com aquele(a) ex lá do passado bem, bem remoto).
Que tal trocar presentes com eles num "namorado secreto"?
Não sei. Mas lamentação, lencinho e aiaiai estão fora de moda.
Este ano, dia 12 cai num domingo. Aproveita uma boa prainha, uma baladinha. O lance é chegar no trabalho com aquela cara de "nem dormi hoje". Olha que vai ter gente namorando que vai te invejar.
Lembra daquela cena do filme "Brilho eterno de uma mente sem lembranças" em que Joel (Jim Carrey), protagonista da trama, diz: "O dia dos namorados foi uma data inventada pelas indústrias de cartões para deixar as pessoas solteiras tristes.".
Burle essas industrias e seja feliz nesta data!
Ame-se!

(Nossa, eu bem que poderia escrever livros de auto-ajuda, né? Caraca...)