
O filósofo inglês Bertrand Russel explicou em Por que não sou cristão os motivos que o levaram a não ser um seguidor da doutrina de Cristo. Eu, no entanto, não escreveria um livro sobre o tema por vários motivos. O primeiro deles é por não possuir talento o suficiente. Os outros são, quase que em sua totalidade, decorrentes do primeiro.
Eu não sou cristã. Eu não acredito em Deus, e acreditar que ele existe é pré-requisito básico para qualquer cristão. No entanto, não saio por aí aos quatro ventos gritando que ele não existe ou que os que crêem em sua existência são pobres alienados. Ser o que as pessoas chamam de ateísta não é motivo de orgulho (muito menos de vergonha) para mim. É apenas uma questão de crença ou quem sabe até de formação.
O que verdadeiramente me incomoda são as caras feias que fazem para mim todas as vezes que eu confesso meu ateísmo. Parece que tenho uma doença rara e que alguém tem o poder de curar imediatamente com versículos da Bíblia. E é nesse momento de “salvação” que eles me perguntam: “Nossa, mas você não acredita em nada? Deve ser muito ruim...” O que respondo? Na maioria das vezes eu deixo para lá. Nem sempre vale muito a pena responder qualquer coisa...
Acredito em inúmeras coisas e em outras, nem tanto. Mas no meu pequeno baú de coisas para crer ou não, Deus é uma interrogação enorme. Não posso garantir a ninguém, nem a mim mesma, que ele não existe. Mas eu acho muito pouco provável e tenho os meus motivos para pensar dessa forma. E se pensar assim pode me levar ao inferno, espero que antes que me lancem às chamas eternas me expliquem ao menos porque Deus existia e fez com que tantos homens duvidassem.
Então peço este enorme favor: Não tentem me converter. Além de ser uma tarefa inglória, na qual nós dois perderemos nosso precioso tempo, pode fazer com que eu pense que você não respeita minha crença (ou descrença, sei lá). Mas aos que não conseguirem evitar tentar me salvar da danação eterna, venham, ao menos, com bons argumentos para que possamos desfrutar de uma boa discussão. Mas cuidado! Até hoje ninguém me apresentou sequer um argumento que se sustentasse.