domingo, 5 de outubro de 2008

Ao meu alter ego


Apesar de dizer que me odeia e que eu devo sair de sua vida, Marília fez uma espécie de poema para mim. Sim, queridos, agora sei que ela me ama!

Ao meu alter ego

Um dia olhei no espelho e vi uma mulher se afogando num mar de lágrimas, dor e mágoa. Entrei no espelho e segurei a mão da tal moça tentando tirá-la daquele mar de agonia. Peguei sua mão e levantei seu corpo. O maior esforço que já fizera na vida. Já não me importava com nada a não ser salvar a pobre moça. Quando seu rosto saiu da água, vi que a moça tomara minha forma. Tinha meu rosto, meu corpo, minha alma.

Ela, vendo minha surpresa, agarrou minha mão com força usando também a sua outra mão. Me afastei e relaxei a mão. Já não tinha a mesma vontade de salvá-la. Ela, percebendo isso, agarrou-se em meu braço e tentou se erguer. Não fiz nenhum esforço. Com o terror estampado no rosto que nunca havia visto antes, ela me implorou com os olhos cheios de lágrimas:
_ Salve-me! Você pode. Salve-me!

Quanto mais eu tirava minha mão da concha de dedos que ela tinha feito, mais ela me olhava, chorava e apertava minha mão. Gritava meu nome. Eu fingia não ouvir. Então, num só movimento, libertei minha mão da manopla que a aprisionava.

Ela soltou minha mão. Vi afundar lentamente. Vi o mar a engolir vorazmente, como um monstro de mil cabeças engole uma presa anêmica. Vi seu rosto afundar e a água penetrar sua boca e chegar a seus pulmões. Sim, vi seus pulmões. Vi as ondas dentro de seu corpo.

Debatia-se. E eu observava de perto sua agonia. Não senti nem dó nem remorso.

Quando sua mão começou a afundar, ouvi seu último suspiro. Fechei com força os olhos, dei as costas para o mar e parti.

Desde então, toda vez que olho no espelho, morre um pedaço de mim.

Marília Dalva


2 comentários:

Luciano disse...

Talvez quem sabe? 27/10/2008 Luciano Anselmo


Na busca incessante de me entender, perdi de uma vez a razão.
Nada tinha razão quando eu procurava e sempre fazia o que pensava estar certo, e mesmo sendo ridicularizado me aceitava e me ignorava.
Como um louco sem tratamento baseie meus pesares em minha loucura,
E quando não enxergava além do que queria, em real não via nada.
Tudo foi perdido, tudo um dia deve ser possível ser achado.
E caso não encontre estarei assim nessa procura.
As passadas que me forçara a dar não foi diretamente objeto de força, a não contar pela força de minha pouca vontade de resistir.
Sei que deveria romper o lacre desta verdade incomum,
Mas não há verdade quando não se quer a que aceitam como tal.
Então não me há verdade, e o resto deve ser mentira e assim vivo,
Hora procurando, hora apenas esperando que tudo passe e que minha duvida não esteja certa.
Mas me falta muito pra compreender ainda no sopro desse furacão que todos hoje fingem acreditar.
Não que todos os dizem acreditar acreditem, mas agora a perseguição mudou de rumo.
Não atacando os que foram atacados, mas os que não querem ser herdeiros dos procurados, crucificados, e dados em bandejas.
Não que vai empolgar os poucos que nos move com seus olhares mesquinhos e tocos e pura ignorância e medo de darem a sua opinião.
Não neguem o que crêem e nem ignorem os que crêem que não existe o existencialismo fantástico da pedra de barro, em forma de homem que tornou homem e sua costela que lhe deu companhia, pois igual a vocês são orientações que se passam e nada muda o conhecimento adquirido do que a prova do incorreto objeto aprendido.
Temos o porque de muitas coisa, mas em todos existe o receio de que nada seja verdade e que tudo acabe aqui e agora.
Para uns a salvação é tormento procurado incansavelmente, mas ainda não estamos no inferno para queremos sair dele.

Anne disse...

Me agrada as duas, de jeito estranho...