quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Os arroubos (ou não) da terapia


A terapia pode ser um momento mágico da sua existência. Eu disse PODE e essa palavra já nos dá uma idéia de possibilidade e não de conclusão. A idéia de um desconhecido, que não irá julgá-lo, ouvindo todos os seus podres e sentimentos mais intimos é ótima. Ótima e cara. Mas o custo-benefício... Ah, esse compensa. Fiz por algum tempo, em terapeutas diferentes e em abordagens diferentes. Foi um experiência boa, não tenho do que reclamar. Uma experiênica boa que teve seus momentos ruins.
Se você nunca fez, precisa saber de algumas coisas sobre ela.
A psicoterapia não é coisa para loucos
A psicoterapia serve para muitas coisas. Timidez, baixa auto-estima, dependência química, problemas de relacionamento, ciumes, depressão, fobias, pessoas que desejam se conhecerem melhor... Se quem estiver nesse grupo for louco, todos nós somos.
Terapeuta não é psiquiatra
O terapeuta é um psicólogo, um cara formado em psicologia com uma especialização na abordagem terapêutica escolhida por ele. Um psiquiatra é um MÉDICO, com especialização em psiquiatria. O psiquiatra atende casos bem mais sérios e, dependendo do caso, preescreve medicamentos.
Antes de inicar um processo terapêutico você precisa escolher uma abordagem
A abordagem terepêutica nos diz como o processo irá ocorrer. Entre as mais utilizadas no Brasil estão a cognitivo-comportamental (na qual os seus pensamentos influenciam nas suas ações e o terapeuta se concentra em sua vida hoje) e a psicanalítica (abordagem que procura a origem de alguns problemas no inconsciente e em fatos do passado, principalmente na infância) e tantas outras menos populares como a Bioenergética (de base psicanalítica, mas focada em exercícios físicos, principalmente de respiração).
O terapeuta não é seu amigo
Não adianta. Ele está ali com um intuito: tratar/analisar você. Não adianta querer sair com ele para farra. Se ele for um bom profissional, manterá distância da sua vida fora do consultório. Uma relação íntima infuencia no tratamento, logo, deve ser descartada. Você só fala de tudo sem se preocupar justamente pelo fato dele estar alheio às situações descritas no consultório. Se ele fosse seu amigo e vivesse com você o tempo todo, por ter medo do seu julgamento, você não contaria tudo. Então não insista para ele aparecer na sua festa de aniversário ou formatura. Deixe-o para a terapia!
Elas podem custar muito caro
Dependendo da abordagem, elas custam, no mínimo, R$ 50 por sessão. Mas eu disse "no mínimo". E você precisa de pelo menos 4 sessões por mês. Mas não se preocupe, há em faculdades as chamadas clínicas-escolas onde a sessão sai por R$10, R$20.
Você pode ver resultado logo ou não
Um dia você sai de lá em extase achando que finalmente descobriu o problema que aflige sua vida. Noutro você sai com a sensação de dinheiro perdido e pensando quanta coisa você poderia ter feito com aquela grana toda. Um dia você acha que foi a melhor coisa que você fez na vida. No outro, que foram 45 minutos perdidos.
Prepare-se: Você pode querer chorar
Os consultórios podem ser diferentes. Uns mais claros, outros mais escuros, uns espaçosos, outros pequenos... Mas duas coisas não faltam em nenhum: um relógio, para você e seu terapeuta terem uma idéia do tempo que estão ali, e lenços de papel.
Você entra senhor(a) de si e de repente ouve uma pergunta qualquer (sobre seus pais, amigos, relações amorosas). Você vai responder e quando percebe está chorando como um bebê e as palavras não saem. Parabéns! Não precisa dizer mais muita coisa. Seu terapeuta já entendeu a mensagem.
O tratamento pode durar bastante tempo
Eles duram quase sempre 2 anos. Mas alguns podem passar desse tempo. Entãoprepare bolso e paciência.
Haverá dias que você vai pedir uma sessão e dias que você vai querer que elas não existam.
Falar de si é uma coisa muito boa. Imagine agora que alguém vai te ouvir por 45 minutos com extrema atenção como se você fosse a pessoa mais importante do mundo. Isso é ótimo! Um dia irá acontecer algo (bom ou ruim) que fará você ficar ansioso para encontrá-lo e dizê-lo. Mas em outros você vai querer ver o demônio em pessoa e não seu terapeuta.
Sim, mesmo assim ela é boa
Haverá enormes contra-tempos que forçarão você a desistir dela, mas a terapia pode ser um divisor de águas na sua vida. Nela, você pode aprender muito sobre você mesmo e sobre quem o cerca. Porém, vale uma dica: o terapeuta não dira o que você deve fazer ou o que é o melhor para você, nem responderá suas dúvidas, porém ele irá conduzi-lo no caminho rumo as respostas que (por mais clichê que isto pareça) estão dentro de você.

Vale o risco!

domingo, 2 de agosto de 2009

Unindo o fútil ao agradável


Eu tenho andado bem distante deste blog ultimamente. Muitas vezes por falta de tempo, noutras por falta de pauta. Não gosto de escrever quando não tenho vontade, pela pura obrigação de fazê-lo. Eu escrevo quando me dá um afã estranho que não sei bem de onde vem, instala-se em meus ossos e que, Deus sabe, eu só me sinto bem quando consigo saciá-lo.
Segundo Wittgenstein, o pensamento é organizado muitas vezes em forma de palavras. Concordo. Muitas vezes, penso em palavras, em orações completas, parágrafos. Dessa forma, sinto como se estivesse escrevendo. Se me der vontade de passar meu pensamento para o papel, faço-o ou deixo para outro momento e as palavras, muitas vezes vãs, me somem com o vento.
Muitos leitores têm o costume de pensar que fiz este blog para falar de coisas sérias. Acham que eu tenho o dever quase cívico de falar alguma coisa que soe inteligente ou que pareça necessário à sociedade ou que faça o outro refletir sobre a sua condição.
Eu gosto de falar sério e de soar inteligente, todos gostam. Mas o que eu amo mesmo é falar trivialidades. Quando escrevo, não gosto de me prender a um tipo de pauta. Quero escrever sobre o que eu quiser, seja o assunto frívolo ou não.
Muitas coisas me perturbam ou me fazem bem no meu dia-a-dia e eu não vou escolher apenas as mais finas e tratá-las com a erudição que não possuo.
Eu peço perdão pela ausência, mas também peço paciência para que o argumento me venha sem esforço, sem a preocupação de ter que atualizar o blog sempre com qualquer coisa tosca.
E se você não consegue se adaptar a essa realidade de escrever quando se quer sobre o que se quer... paciência, meu caro, paciência.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Música do mundo [parte 2] - Portugal


Muitos do além-mar afirmam que ouvem a nossa boa e velha MPB. E muitos brasileiros em terras estrangeiras confirmam isso. Então por que nós ainda não abrimos os olhos às maravilhas sonoras portuguesas?

Vou citar três grandes nomes [ao meu ver, claro] da MPP (música popular portuguesa) que fará, assim espero, seus olhos se abrirem:

O 1º, Madredeus, tem 24 anos de carreira e mistura música popular portuguesa com música erudita e uma pitada da alma lírica dos belos fados portugueses. A canção que escolhi,O Pastor, é do album "Existir" de 1990 e fez parte da trilha sonora da adaptação brasileira da obra Os Maias do escrito português Eça de Queiroz.



O 2º, Jorge Palma, foi membro de uma banda de rock chamada Sindicato. Em carreira solo, se tornou uma espécie de Bob Dylan português. Em 2007 lançou o single Encosta-te a mim.



O 3º se chama Pedro Abrunhosa. Um poeta acima de tudo, Abrunhosa encanta com suas belas letras e pelos arranjos das canções. Pandemônio, a banda que o acompanha, é divina. Já gravou canções com Lenine, Sandra de Sá e Nelly Furtado e foi convidado por Caetano Veloso para juntos fazerem um show. A canção escolhida é Será :

domingo, 28 de junho de 2009

Ah, um dia você aprende...


Estava eu por esses dias navegando na internet e me deparo com um vídeo muito interessante com uma mensagem que supostamente seria do Shakespeare. Como o próprio título do poema(?)diz "com o tempo" eu pude ver que muitos atribuem a sua autoria a Veronica Shoffstal. Deculpem a ignorância, mas nem eu nem o santo Google, que tudo sabe, conhecemos algo sobre esta (suposta) escritora. Eu acredito que não seja mesmo do Shakespeare e que ele só entrou nessa para dar mais credibilidade ao poema, visto que, ao que parece, ninguém conhece a tal Veronica. Deixando de lado problemas com a autoria, achei-o belíssimo e decidi compartilhá-lo com vocês (super brega, não?)
Sempre achei esses videozinhos o mais fino do brega, mas esse texto merece que a gente feche os olhos para preconceitos bestas. Reflitam...

After a while - Veronica Shoffstal (Ou William Shakespeare, se preferir)

Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar as mãos e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se
E que companhia nem sempre significa segurança
E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.
E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas não se importam.
E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la e que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E que o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você é na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam.
Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com que você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas... Pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que você pode ser.
Descobre que se leva muito tempo
para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou,
mas onde está indo, mas se você não
sabe para onde está indo, qualquer lugar serve.
Aprende que, ou você controla seus atos
ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco
ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada
e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas
que fizeram o que era necessário fazer,
enfrentando as conseqüências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes
a pessoa que você espera que o chute,
quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver
com os tipos de experiências que se
teve, e o que você aprendeu com elas,
do que com quantos aniversários você celebrou.
Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer
A uma criança que sonhos são bobagens,
Poucas coisas são tão humilhantes
E seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva, tem o direito de estar com raiva, mas isso não lhe dá o direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não sabe amar. Contudo, o ama como pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém,
Algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás, portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores...
E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!
Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Y. (Bebe)

Em 2005 e a cantora Bebe era um sucesso por toda a américa latina (salvo Brasil - aqui poucos a conhecem). Ganhadora de 5 grammys latinos (Gravação do Ano, Álbum do Ano, Canção do Ano, Melhor Álbum Pop Feminino e artista revelação), Bebe virou um ícone para as feministas graças à canção Malo
que virou um hino contra a violência contra a mulher.
Seu 1° e único disco, Pafuera Telarañas, vendeu mais de meio milhão de cópias somente na Espanha e teve uma de suas canções em 2° lugar na Billboard.
Ela ainda ganhou um Goya , o Oscar espanhol, com a canção Tiempo pequeño que serviu de trilha sonora para o filme "La educacion de las hadas".
Aturdida por tamanho sucesso e pela pressão da mídia, Bebe decidiu tirar férias da cantora de sucesso na qual tinha de transformado e anunciou à imprensa sua precoce aposentadoria musical.
Mas Bebe jamais foi esquecida (nenhum bom artista o é) e lança em 30 de junho, 5 anos depois de sua saída do cenário musical, seu segundo album: Y. (Y punto).
Milhares de fãs aguardam ansiosamente.
Quem quiser conhecer mais da bebe vai no site da Bebe. Quem quiser ouvir e ver a Bebe de 2004 e a Bebe de 2009, segue links do youtube para três de suas mais famosas composições, uma do album Pafuera, outra do Y.:



Link pro youtube - Siempre me quedará


quarta-feira, 13 de maio de 2009

Dicas de boas maneiras – Parte I – Aparelhos sonoros


Eu me lembro muito bem que um dia eu odiei a Glória Kalil (jornalista, empresária e consultora de moda brasileira). Mas eu não a odiava assim, sem motivos. Eu pensava que a etiqueta, boas maneiras e todas aquelas baboseiras, que a priori pareciam servir para humilhar aqueles que não sabiam usar os talheres adequados, eram coisas desnecessárias.
Eu tenho educação, minha mãe me deu! Me enchia a barriga de comida antes de irmos às festas infantis para que não devorássemos o bufê como mortos de fome. Não nos deixava desrespeitar os mais velhos a quem tínhamos de dar o lugar onde estávamos sentados. Fazíamos tudo a contra-gosto, mas fazíamos.
Minha educação (que hoje nem sei como julgar, se dura demais ou inadequada ou se maravilhosa) não é o nosso interesse agora. Voltemos à Glória.
Um dia olhei a consultora de modo distinto e pude perceber que em partes ela estava coberta de razão. Ouvi- a dizer que a etiqueta é, antes de tudo, uma questão de educação. E não é que ela estava certa!
Muitas vezes, ter bons modos é ter bom senso. O uso inadequado dos aparelhos sonoros é um belo e eficaz exemplo disso.
Avançamos em tecnologia e agora os aparelhos celulares tocam MP3. Isto seria maravilhoso não fosse o fato de agora estarmos em ônibus e sermos obrigados a ouvir os piores tipos de música (usar o termo música é um pouco demais para aqueles barulhos). Você está lá, concentrado em milhares de pensamentos, e aquele barulho irritante sendo ouvido não só por um indivíduo, mas, obrigatoriamente, por todo o ônibus. Isso é falta de bom senso. E tem ocorrido em todos os locais, até nos mais improváveis! Você até pode gostar daquela música, mas deve lembrar que nem todo mundo gosta. Já pensou se todo mundo decide mostrar suas preferências musicais ao mundo?
Fones de ouvido resolveriam o problema se não causassem outro incomodo. Os populares MP3, MP4, MP196788 ganharam pessoas de todas as idades e tiraram de alguns o bom e velho discernimento.
Você agora encontra alguém que de imediato puxa uma conversa com você, mas não tira o maldito fone do ouvido enquanto fala. Já vi os aparelhos serem usados em salas de aula (bem no meio da aula) e até em (pasmem) reuniões com o prefeito (!). É o cúmulo do desinteresse, do “tô nem aí”, do desrespeito, do “não me importo com você”.
Hoje, alguns carros parecem ser usados como objetos de disputa do tipo “meu carro tem um som mais potente que o seu". Você decide sair de casa, dar uma volta na praia, sentar na calçadinha e relaxar. Um minuto depois vem um preparando uma mini-festa bem onde você está. Pára, abre a mala do carro, liga o som para todo o quarteirão e adjacências ouvirem, abre umas cervejas e você, que só queria sossego, é obrigado a se retirar para não atrapalhar a “festa” do sujeito mal educado.
Depois de tudo, o que nos resta é ter paciência e pensar se nós mesmos não praticamos esses pecados sonoros às vezes.

domingo, 10 de maio de 2009

lyla ouviu, Lyla se apaixonou - Silvia Machete


Ouvir e ver Sílvia Machete já é meio passo rumo ao um abismo: a paixão musical mais avassaladora.
Sílvia é um artista completa: canta, dança, faz malabarismos, bamboleia, faz truques de mágica e encanta qualquer um com sua vitalidade e espontaneidade.
Mas misturar circo e música não é o único trunfo da cantora que trocou o Rio de Janeiro pelo East Village, bairro boêmio novaiorquino. Sílvia tem uma voz marcante e composições que impressionam pela simplicidade das letras e pelos arranjos originais.
O cd Bomb of Love - Música Safada para Corações Românticos (2006), primeiro cd da cantora, traz músicas como "Toda bêbada canta" (sobre a maldita ressaca moral), "Pé", e versões como a de "Gente aberta" de Roberto e Erasmo Carlos e uma versão bossa nova de "Sweet child of mine" do Guns'n'roses.
E para coroar o sucesso do album, Silvia lançou recentemente o DVD Eu não sou nenhuma santa (2008) no qual explora aos máximo sua versatilidade musical e corporal.