quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

À Ana Claudia


Sabe aquelas pessoas que amar é inevitável? A gente sempre pensa nisso de nossos pais, que já nascemos os amando. Mas também existem aquelas pessoas que quando você nasceu, já estavam lá te esperando para amar você. Então, neste caso, é quase impossível não amá-los também. É o caso dos tios, irmãos, primos...Você cresce e vai diferenciando uns dos outros pela afinidade.
O destino me deu irmãos não-consanguíneos e uma prima assim também. Mas o que acontece quando se ama essa prima mais do que a um irmão de sangue?
Não sei se você teve uma oportunidade como a que tive: de ter sempre perto de mim alguém que me aconselhasse, que me entendesse antes de qualquer um, que me conhecesse como nenhum outro. Conhece mesmo. Não importa o que o mundo me diga sobre mim, ela sempre fala: “Você não é assim, é o seu jeito e eu te conheço, eles não!” Ah... eu sempre acredito. 1. porque a Maga é bem sincera. 2. porque ela sabe o que diz, realmente me conhece.
Eu não posso dizer que Ana Claudia é a minha melhor amiga. Não, ela não é. Ela é ainda mais que isso. Ela é uma das minhas mães e uma das minhas mãos.
A Ana sabe ouvir, sabe falar, sabe se orgulhar de pequenos feitos e de ser a melhor da classe (risos). A Ana sabe amar, respeitar, sabe cuidar... Talvez tenha aprendido com Jesus a dar a outra face porque ela tem o dom do perdão (o que não possuo, uma lástima). A Ana briga e depois faz as pazes assim... na mesma hora! Ela se preocupa, ama viver, ama as pessoas, cuida delas, perdoa... Ah, e ainda entende de moda.
Linda por dentro e por fora, eu a amo (ela sabe, mas não me canso de repetir) e queria sempre dar-lhe mais: mais tempo, mais cuidado, mais carinho...
Maga, Quero te dizer, agora que estás ainda mais velha, no auge de seus 28 bem vividos anos, o quanto você é importante para mim e acho que fiz isso como pude, mas não como deveria porque todas as palavras são poucas para expressar minha gratidão e meu amor (super gay isso).
Dizer “eu te amo” agora seria um pleonasmo. Mas, vou correr esse risco da repetição e de parecer gay:

EU TE AMO agora e sempre! Feliz Aniversário!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Bob Dylan vai animar o seu Natal


Bob Dylan lançou em outubro seu álbum de Natal. É, é isso mesmo que você leu. Antes judeu, Dylan converteu-se ao cristianismo em 1977 e voltou as suas origens judaicas na década de 80. Lançou em outubro deste ano um álbum de canções natalinas, mas nada de versões de John Lennon ou da clássica Jingles Bells. São canções natalinas bem ao estilo [único] de Dylan.
Uma das coisas mais legais do disco é que toda a sua renda será doada à Instituição Feeding America, organização de combate à fome. Recheado de belas canções (com destaque para Do you hear what I hear e I´ll Be Home For Christmas), Christmas in the heart consegue ser bonito sem ser piegas ou clichê. É um disco para ouvir enquanto Papai Noel não chega (Sim, Papai Noel, aquele tio bêbado que se fantasia todos os anos e assusta a criançada).
Outra coisa legal do disco é que, depois de 12 anos sem aparecer em video-clipes, Dylan reaparece no clipe de Must be Santa (percebam a animação à La Grinch).



E como eu sou legal e estou presa a esse estranho sentimento de solidariedade que nos acomete no Natal, vou disponibilizar o link para download do álbum. Cole o link abaixo no seu navegador, retire o * e me diz o que achou.

http://lix.*in/-602c92.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Sobre o dia em que vi Deus


Era dia. O sol estava a pino. A claridade mal me deixava enxergar o que fosse e as longas horas ali sem alimento nem água ofuscavam ainda mais a minha já tão gasta vista. Estava jogada a um quanto de parede carcomida. Meu corpo, dilacerado, parecia inerte não fosse minha respiração já fraca. Eu sangrava e não existia remédio para o meu mal. Meu mal estado físico não conseguia representar a farsa do meu estado psicológico.
Vi um verme se aproximar da ferida aberta e putrefata de um de meus membros. Afastei minha perna. Olhei o verme e, com um sorriso nos lábios, disse-lhe:
- Agora não, meu caro.
Não sei se o verme riu de mim, mas se não o fez, tinha tudo para fazê-lo. Eu responderia se fosse ele... Devaneei sobre o verme e nossa condição, mas logo apareceu um homem alto, robusto, para me atrapalhar as ideias.
Chegou sem dizer nada e foi logo batendo nas minhas pernas com a ponta da bota, jogando-as de um lado a outro. Olhei-o. Ele estalou a língua no palato, cuspiu e põe-se a entalhar um pedaço de madeira que levava consigo. Usava um sombreiro, o que não me deixou observar sua face, se mudara de fisionomia ao perceber que eu ainda estava viva.
Por um momento, pareceu observar todas as minhas feridas, mas eu não sei bem se o fez ou não. Enfiou a mão em um dos bolsos, tirou um escapulário com a imagem de São Miguel Arcanjo e o jogou sobre mim. Em seguida, retirou do cós da calça dois revólveres: um da frente, outro das costas. Estes últimos, depositou cuidadosamente sobre meu abdômen. Pegou minhas mãos e as colocou sobre as armas. Depois pôs o escapulário de pano em meu pescoço.
Eu não me mexia nem dizia nada, só o observava. Ele acendeu um cigarro, agachou-se, soprou a fumaça em meu rosto. Falou-me com tom grave:
- O escapulário é santo. Você, não! Empunhe as armas e siga em frente. Da próxima vez que cair, faça o mesmo. Não posso estar sempre pronto para acudir você.
Tragou mais uma vez o cigarro, levantou-se e saiu.
Desde então, sempre que caio, levanto-me sozinha e de armas e escapulário em punho... Ah, meu caro leitor, nunca mais vi Deus depois disso.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Os arroubos (ou não) da Academia


Decidir freqüentar uma academia é um passo difícil. A gente adia o quanto pode, mas de repente olha aquela pele flácida no espelho, percebe que o bumbum deveria estar alguns centímetros acima e quando nos vemos estamos à porta do estabelecimento munidos de toalha, garrafa de água e muita, mas muita vergonha.
Depois de 3 meses de prova, decidi compartilhar um pouco da experiência com vocês.

A Academia pode não ser um bom lugar para mulheres que queiram paquerar
Se você acha que pode encontrar um príncipe encantado na academia disposto a te ajudar com aquela rosca de 10 kgs, não se iluda! A maioria dos frequentadores de Academia se tornam verdadeiros ogros quando ultrapassam a entrada do lugar e ainda por cima (se já não bastasse) passam mais horas olhando o bíceps no espelho do que prestando atenção à sua bunda.

Nem todo(a) frequentador(a) é malhado(a) e bonito(a)

A propaganda é uma ilusão. A imensa maioria dos frequentadores são como os novatos: só querem melhorar a aparência. Não vá pensando que irá encontrar apenas belos corpos. Prepare-se para barrigas salientes, bundas caídas, braços subdesenvolvidos...

Pode custar pouco

A Academia não vai quebrar seu orçamento. Mas é bom procurar uma boa, não pelo preço, mas pela estrutura e por seus profissionais.

Não há motivos para vergonha
Como já disse, nem todo mundo é sarado e te fará inveja. E sempre que a vergonha vier, lembre-se: todos ali tiveram que começar um dia com um vergonhoso pesinho de um quilo.

Sim, é dolorido
Os primeiros dias serão terríveis e te farão pensar inúmeras vezes em desistir. Seja persistente! Num dia você não pode levantar o braço para pentear os cabelos, no outro, você quer aumentar o peso porque acha que está pegando leve demais. Num dia você mal consegue subir num ônibus, no outro, você acha que o seu treino devia durar mais tempo. Não deixe que dois dias de dor te tirem a satisfação de usar um belo (a) bikini/sunga no verão (sem medo de ser feliz!).

Os resultados podem aparecer logo
Com dois meses de dedicação aos treinos, você já pode perceber resultados.

Você tem grandes chances de se apaixonar
Calma... ainda acho que homens de Academia são ogros. Você vai se apaixonar pela Academia e por cuidar do seu corpo. Com o tempo a dor passa, você conhece pessoas novas, vê que nem todo homem ali é um ogro (isso é o mais difícil), você passa a gostar de se olhar no espelho, a auto-estima sobe...

Experimente!
Faça treino experimental em uma boa Academia. Se depois dos 4 primeiros dias você não se adaptar, tente mais 4 e mais 4 e mais 4. Se ainda assim você não se acostumar e não perceber resultados, pense em outra forma de cuidar do seu corpo. Sedentarismo está super out! A nova moda é cuidar do seu bumbum!

Futilidades à parte. Exercícios físicos são sempre bem vindos.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Onde já não caibo


Eu já não caibo em conversa, em versos, em prosas. Eu me ajeito, me aperto, mas já não caibo também em risos, em músicas, em filmes B.
Nem em frases de efeito, nem em cinismo sem hora, nem na TV ligada às 4 da manhã. Eu não me encaixo em decassílabos, em redondilhas, em afinações, em tríades perfeitas. Não caibo no peito dos amigos, nem na memória dos inimigos, no bem querer de alguém. Não, eu não me acho em meu quarto, em meu espelho, em meu pensamento. Eu não me vejo em livros, em comerciais. Não me vejo nas propagandas alegres de cerveja, nem na mesa farta dos comerciais de margarina. Eu não caibo mais na minha cama, nas cadeiras da mesa, nas paredes da casa. Eu não me encaixo em sambas, boleros, tangos. Não me sinto na música clássica, nem num cochicho, nem no assobio de lavadeira... Em nenhuma canção.
Não me sinto destinatária de um riso de criança, de cartas de amor anônimas, de bilhetes não datados jogados no alpendre da minha janela. Eu já não vejo a janela, nem o alpendre, as letras das cartas, o riso.
Talvez eu não caiba mais em alegria desmedida, em Natal, Réveillon, Carnaval... Não me encaixo mais em carinhos, abraços, beijos...
E a única coisa triste de tudo isso: Eu já não caibo nos braços de minha mãe.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Sim, eu a subestimei


Subestimar as pessoas para mim é um primeiro passo. Logo que eu conheço alguém, eu penso: “Não, essa pessoa não é tão legal”. Se ela for, melhor. Eu ganho. Se não, ela era como eu pensava e eu ganho novamente. Exagero ou não, é o que sempre faço e saber que algo é bem melhor do que pensei que fosse me alegra muito.
Caso semelhante aconteceu quando eu conheci a Mallu Magalhães. Um fenômeno da internet, a menina não parava de ganhar prêmios de artista revelação e tava em tudo que era programa de TV. Eu sempre pensava no que diabos as pessoas viam nela, garota insossa, sem graça... Eu não parava de compará-la à Maísa, aquela pivetinha irritante que o Silvio Santos insiste em nos empurrar goela adentro.
Afinal, quem era essa menina cantando Bob Dylan, desafinando, conquistando corações incautos?
Mas a Mallu não ficou como a menininha ganhadora de prêmios, fofinha, bonitinha, engraçadinha, inha, inha... MM mostrou a que veio.
Após iniciar um romance com Marcelo Camello, excelente compositor, Mallu mudou o rumo de sua prosa (ou de seus versos, no caso). Começou a fazer composições sobre sua iniciação na vida amorosa e sobre coisas de seu cotidiano. O tom confessional das letras e sua voz ainda infantil dão um charme as suas composições. Em Bossa sem nome, O eu - lírico parece confessar seus medos em relação ao inicio de sua vida sexual:

“Eu vou cantar pra assumir
Eu tive de fugir
Da pouca roupa, da fala rouca
Do beijo a boca
Meu bem, parece tão cruel
Não poder se atirar
Espero a espera boa
Meu corpo soa tão incapaz”


Em O preço da flor, sua voz rouca, infantil, chega aos nossos ouvidos de maneira sexy graças à melodia e à letra que fala de desejo.

“Mas escondo o desejo
Escolho no bairro
Um lugar de esconder
E vai
Mais um quase beijo
Porque só a noite cobre
Os defeitos do ser”


Talvez pela idade, a palavra sexy não pareça, à primeira vista, adequada. Mas a voz da cantora se mescla a uma melodia envolvente e letra intensa para uma adolescente de sua idade e nos chega num misto de sensualidade e inocência.
Segue abaixo, vídeo de O preço da flor.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Sobre a paixão (ou sobre uma doença qualquer)



Tanta coisa já foi e há de ser dita sobre a paixão...
A palavra vem do grego pathos, da qual origina palavras como patologia, e significa sofrimento.
Os antigos gregos tentavam explicar a origem da paixão com a mitologia. Os homens ao se deparar com os deuses, cuja superioridade provocava a loucura e fazia os mortais insensatos, entravam num estado de êxtase, ou seja, apaixonavam-se.
A paixão só existia no Olimpo, a morada dos deuses. Até que Prometeu roubou o fogo sagrado das divindades para dar aos homens. Aqueles responderam a ofensa deste enviando à terra uma caixa que continha os maiores males aberta bela jovem (e mui curiosa) Pandora. Foi um excelente castigo! Mas, convenhamos, engolimos à seco a doença da paixão pela dádiva do fogo... Boa troca.
Aos momentos finais da vida de Jesus damos o nome de “Paixão de Cristo”. Para muitos o termo significa o amor do filho de Deus pelos homens, mas, em bom e velho grego, nada mais significa que dor, sofrimento, pesar de Cristo.
Para os psicanalistas, a paixão é uma projeção narcísica. Projetamos no outro o que nós gostaríamos de ter e/ou ser. E, ainda segundo eles, estamos “doentes de paixão” porque não conseguimos superar o nosso complexo de Édipo. A paixão é uma forma que encontramos de suprir a falta do nosso primeiro objeto de amor: nossa própria mãe!
Em inglês, o termo usado para “apaixonar-se” é fall in love. Numa tradução literal, algo em torno de cair em amor. A paixão é uma queda. Viram?
Ela libera dopamina, norepinefrina... Enfim, mexe com nosso corpo, mas no fim nos faz sentir muitíssimo bem.
A literatura tem ótimos exemplos de como a paixão pode ser prejudicial. Foi a paixão quem matou Romeu e Julieta, que fez com que o Jovem Wether se suicidasse. Foi a paixão quem matou Tristão e Isolda... A paixão é, praticamente, um assassino serial!
Para uns, doença. Para outros, sofrimento, queda, roteiro infeliz...
Só sei de uma coisa: Não há melhor doença, queda, sofrimento, nem melhor forma de liberar dopamina.
Adoeça. Apaixone-se hoje!