terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Aos (antes tão) caros


Não sei de onde surgiu a ideia/conversa de que eu não queria ver ninguém ou falar com ninguém justamente na pior fase da patologia da qual ainda estou me recuperando. Era uma época, claro, de carência e necessidade de amigos em que não recebi telefonemas ou visitas que quisessem me alegrar. Mas como, falei anteriormente, estou em recuperação e isso pode ser incluído também.
Por isso meu caro, se você não fez nada por mim até agora, apenas esperou que eu "voltasse", pode se manter em casa e não pegar seu celular para me encher o saco com o papinho da saudade e do "volta quando?". Eu estou fazendo um bom trabalho te guardando na "caixinha das coisas inuteis do passado".

Abraço frouxo e com tapinha nas costas.

Marília, a ex-Lila.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

20 coisas que eu aprendi (em 2010)

O post abaixo é o mesmo postado no final do ano de 2009. Porém como no final do ano de 2010 ele ainda é bem atual e as coisas que eu aprendi no ano passado, reaprendi este ano, achei interessante repostá-lo. Desculpe a falta de criatividade ao repetir o post.

1. Aprendi que algumas coisas têm sua hora e é preciso esperar pacientemente.
2. Aprendi que dinheiro não compra tudo, mas pagou as festas e shows que fui esse ano.
3. Aprendi que mudar pode ser bom.
4. Aprendi que para pintar uma casa é preciso antes forrar o chão com jornal (ou passar horas esfregando querosene no chão)
5. Aprendi que se pode sentir saudades de quem está perto.
6. Aprendi que erros ensinam bem mais que acertos.
7. Aprendi que algumas pessoas passam rápido demais por nossas vidas.
8. Aprendi que ser machucado por alguém dói menos do que se machucar sozinho.
9. Aprendi que você pode ter tudo que sonhou ter quando tinha 15 anos e chegar aos 23 achando que ainda falta muita coisa e que outras são besteiras ou não valem a pena...
10. Aprendi que ter emprego é bom, mas que férias são ainda melhores.
11. Aprendi que, em alguns casos, ganha mais que não responde a uma ofensa.
12. Aprendi que um bom filme pode ser melhor que várias sessões de terapia.
13. Aprendi que alguns "Eu vou", "eu posso", "eu consigo" abrem portas.
14. Aprendi que ser independente pode ser bom, mas tem seu preço.
15. Aprendi que para ser amigo de alguém é preciso aceitar e amar ainda que o outro erre.
16. Aprendi que beijar as pessoas que você gosta te dá uma energia extra pra enfrentar a vida.
17. Aprendi que é preciso dizer "não" e é preciso saber ouvir "não"
18. Aprendi que você não é o que os outros dizem, nem o que você diz ser
19. Aprendi que para se aprender é preciso 10% de material e 90% de vontade.
20. Aprendi que gastar tempo me preocupando faz com que eu perca o tempo que tenho para ser feliz.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Do deleite natalino*


* Esse é um desabafo. Se não estiver a fim de ler. Pare agora.

Me perdoem os otimistas de plantão, os amigos que já não suportam meu pessimismo, meu ceticismo e meu jeito tosco de encarar as coisas imutáveis da vida.
Me perdoem os que sempre esperam a bonanza mesmo num barquinho fudido em meio à tempestade. Perdão à turma do tudo bem, aos felizes pra sempre, aos "de boa"... Perdoem, mas eu odeio esse clima de fim de ano.
E não, não é trauma de infância ou uma tentiva frustrada de parecer um daqueles velhos chatos à la Woody Allen... Não, é um sentimento antigo de vazio. É... Vazio.
Não tente me convencer do contrário: o Natal é, e sempre será, ruim! Mas eu insisto em fazê-lo melhorar e sim, esse é o meu mais terrível mal: Melhorar o imelhorável.
Não é bom as pessoas te cumprimentarem quando passam os outros 360 e poucos dias sem fazer o mesmo. Não é bom aquele falso clima de fraternidade. Aquele pensar nos milhares de mortos de fome espalhados pelo mundo bem na hora da bela e farta ceia.
É sempre a mesma coisa. Eu participo de todo amigo secreto idiota que me convidam mesmo que eu seja indiferente a quase metade dos participante e deteste os demais... Todo ano eu estou lá, entregando presente, ganhando presente e pensando "poxa, que grandessíssima MERDA". Todo ano (eu digo TODO SANTO ANO) é o mesmo: Lá vou eu pensar em festa pra me animar. Se não gasto dinheiro e a festa não sai como eu quero, eu me frustro. Se eu gasto horrores (que é o que eu tenho feito) e a festa não não sai como eu quero (o que sempre acontece), eu me frusto e penso como seria torrar toda essa grana em alguma coisa para mim. (Esse ano eu nem vou comprar meu Nintendo Wii... Merda!).
Eu compro presentes para as crianças e faço aquela cena sobre o Papai Noel:
"Olha, o que o Papai Noel deixou na árvore de natal!"
E lá vou eu pôr meu suor pra inculcar nos inocentes a porra do espírito natalino... Espírito natalino caro do cacete!
Fora aquelas ruas com gente a dar com pau entrando e sainda das lojas em que você entra... Ai, meu deus! Lá vem aquela versão tosca da Simone tocando em tudo que é lugar. Jesus tem piedade!
"Jesus nasceu", você pode dizer. E eu te respondo que não acredito em Deus, quanto mais em filho dele. E então?
Mas todo ano eu faço festa, todo ano eu enfeito aquela porra de árvore cara com enfeites e dou presente a meio mundo, pra quê? Va-zio...
Merda!
Mas eu sempre faço... Acho que é um deleite masoquista isso, viu? Ou a esperança vã de ser arrebatada por um sentimento bom.
Não sei. Mas se quer saber, te peço uma coisa: Se quer me presentear nesse Natal, amarra tua falsidade e vai ficar feliz lá na casa do cacete!


Não entendeu? Lê isso aqui

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Estribilho


“Traição não tem justificativa, Marta” – disse a amiga sentada confortavelmente na poltrona da sala, com um cigarro frouxo entre os dedos.
Marta manteve-se de pé por um tempo, as mãos seguravam firmemente os braços opostos. Deu alguns passos à frente e disse enquanto enchia mais uma vez a taça da amiga:
- Você pode me julgar se não conhece nem entende meus motivos.
- Ora, Marta. Não tente se convencer de que não está errada por pensar assim. Não há justificativa! – a amiga disse isso enquanto apagava o cigarro no cinzeiro.
Marta voltou à posição anterior, mas dessa vez virou em direção à janela. Olhando para fora, disse:
- Você não entende o que sente uma mulher nessa situação e tudo o que...
- E como seria, Marta, se todas as mulheres fossem trair seu maridos por carência, insegurança, medo, seja lá o sentimento que for? Não tem justificativa, Marta... Não tem.
Marta caminhou mais uma vez até a amiga, pegou um de seus cigarros e o acendendo disse:
- Realmente, não há justificativa.

sábado, 30 de outubro de 2010

Do que [não] se pode escapar


Adrastea e Medardo olhavam abraçados para o mar. Ele iria velejar pelo mar Egeu e ela ia ao porto apenas se despedir do marido. A hora da viagem chegou e Medardo abraçou a mulher e lhe deu as costas partindo rumo à nau. Enquanto Medardo caminhava Adrastea teve uma terrível premonição: O marido enfrentaria uma forte tormenta que mataria metade de sua tripulação. Ele também morreria. Ela viu o sofrimento do marido morrendo afogado e não pôde deixar de se sufocar e sair rapidamente do devaneio. O esposo, que decidira lançar mais um olhar de despedida à mulher, percebeu sua perturbação e perguntou o que se passava.
A mulher lhe sorriu e disse apenas:
- Bons presságios, meu querido. Bons presságios...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Teu


Seu Arnaldo era um velho professor aposentado que morava sozinho em um bairro classe média, numa casa de três quartos, dois deles ocupados apenas por seus livros. Era muito conhecido no bairro onde morava. Sempre com um sorriso no rosto, tinha em apenas três anos conquistado bons amigos, desde o padeiro que sempre lhe entregava dois pães a mais e errava (sempre para mais) o peso da manteiga até a mulher da feira que lhe separava sempre as melhores frutas e verduras.
Parecia sempre feliz, cumprimentava a todos, andava sempre com os bolsos carregados de doces que gentilmente servia às crianças da rua que sempre corriam para ele quando o viam.
Nunca era convidado para as festas mais animadas, mas sempre lhe levavam alguns salgadinhos e docinhos embalados com primor.
Ninguém tinha queixa alguma sobre ele. Pelo contrário. Todos falavam muito bem e faziam de tudo para agradá-lo já que ele era conhecido por ser prestativo aos da comunidade.
Pelo menos quatro vezes na semana, jantava fora, sempre sozinho. Comia triste. A feição só mudava quando o garçom se aproximava ou um passante conhecido o cumprimentava. O restante do tempo era tristeza e o garçom, se fosse mais atento, perceberia o desgosto do velho se não se preocupasse tanto com a gorda gorjeta que ele lhe daria ao sair do restaurante por um serviço tão mal-prestado: três sorrisos e uns “mais alguma coisa?”.
Costumava caminhar e contemplar a rua, cumprimentando todos que via. Abria um sorriso para espantar a solidão do peito. Mesmo lhe sorrindo, a solidão não lhe dava trégua e martelava seu peito com a dor imensa que latejava muito pior quando estava em casa, sozinho entre seus livros.
Lia muito, caçava novos autores e se decepcionava com eles. Voltava aos clássicos, se enfadava. Corria para um romance besta, vulgar. Às vezes tinha a leitura interrompida pela vizinha Margot que lhe trazia sempre algum pedaço de bolo recém-preparado.
Parecia feliz, mas não o era.
Imaginem como não foi para o bairro saber que seu Arnaldo, em uma noite de sábado, lançou contra a boca um tiro de revolver e foi encontrado com uma velha fotografia e um pequeno bilhete entre as mãos:
“Bela Quitéria,
espero que tua espera não tenha te frustrado tanto. Eu que nunca tive coragem de te amar em vida, eu que nunca pude te raptar dos braços de teu marido, eu que não pude te livrar da morte fui tarde, mas agora te encontrarei no céu. Deus não há de me negar tua mão. Guarda para mim teu melhor sorriso
Teu amado,
Arnaldo”

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Sobre a morte*


Não há palavras que me consolem diante da morte, essa fria e indesejada sombra. Não há. Eu jamais poderei aceitá-la a não ser que seja eu o corpo morto, inerte. Assim, eu terei de me acostumar a ideia.
Eu não gosto de pensar sobre ela, de falar sobre ela, de saber sobre ela. Mas dela não se pode fugir, não se pode escapar. Todos nós passaremos por ela. Ela ganhará de cada um de nós e nesse jogo ela sempre será mais forte.
Até lá, eu não me conformo.
Não me conformo porque ela insiste em levar os parentes, os amigos... quem sabe não me levará os amores. Não me conforto. E nenhum “Deus quis assim” vai me confortar. Se Deus quer meu sofrimento, pouco tenho a ver com ele. É inaceitável a ideia de um ser que mate sua própria criação consciente ou que a apavore com as incertezas do pós-morte...
Eu, definitivamente, não a aceito.
Nenhuma ideia de “lugar melhor” me consola. A ideia do esquecimento, do “se acostumar a dor”... todas são em vão. As lágrimas secam, é certo, mas o sentimento volta e revira nossas cabeças. E eu não me acostumo.
O fim é certo, eu sei. Mas morrer não deve ser lá boa coisa se priva aquele que ama de viver entre os seus.

Nem gosto de postar poemas, mas esse é especial:

“Se eu morrer, sobrevive a mim com tamanha força
que acordarás as fúrias do pálido e do frio,
de sul a sul, ergue teus olhos indeléveis,
de sol a sol sonha através de tua boca cantante.
Não quero que tua risada ou teus passos hesitem.
Não quero que minha herança de alegria morra.
Não me chames. Estou ausente.
Vive em minha ausência como em uma casa.
A ausência é uma casa tão rápida
que dentro passarás pelas paredes
e pendurarás quadros no ar.
A ausência é uma casa tão transparente
que eu, morto, te verei, vivendo,
e se sofreres, meu amor, eu morrerei novamente.”


(Se eu morrer, Pablo Neruda)

* Post dedicado a minha dor em relação a súbita retirada de meu pai e de meu amigo Dudu Queiroga do convívio dos seus.