terça-feira, 23 de outubro de 2012

Um casal não tão bonitinho assim


Ele foi abandonado pelos pais quando bebê. Conheceu a mãe já na adolescência, pouco tempo antes dela ser atropelada por um policial bêbado. Ela nasceu no seio de uma família rica de Tóquio, mas sonhava em ser artista vanguardista.
Ele se tornou um Beatle, engravidou sua namorada de adolescência e teve de se casar com ela às escondidas para que as fãs não soubessem. Ela foi vítima de um casamento arranjado. Ao sair dele, foi internada pela família em diversas clínicas psiquiátricas.
Ele era um pai ausente e um marido violento. Ela largou o marido e fugiu
para a América para tentar a vida como artista.
Nos anos 60, os dois enfim se encontraram. John foi visitar uma exposição de arte de uma artista japonesa e viu uma palavra por trás de uma lupa. Quando mais se aproximava, mas nítida a palavra ficava. “Podia ser qualquer palavra” – sempre dizia ele em entrevistas  - “mas era a palavra ‘sim”. Tudo que ele precisava ouvir na época. Apaixonou-se de imediato. A ex-mulher, encontrou-o na cama com Yoko e o abandonou, deixando livre o caminho para a artista.
Iniciaram uma história juntos. Mas nem sempre Lennon foi o marido amoroso que demonstrava ser. Em entrevistas recentes, Yoko conta um dos casos mais dolorosos de sua vida: Em uma noite de 1973, ambos saiam de uma festa para a casa de um amigo. Bêbado, Lennon cantou uma convidada e levou-a para o quarto na frente de todos os presentes. Lá iniciou um show de urros e gemidos, que deixou os convidados e a então esposa envergonhados.
Um dos amigos aumentou o volume do som a fim de abafar o barulho, numa atitude “muito gentil”, segundo Yoko. Depois da traição pública, Yoko decidiu se separar de John. Desolado e arrependido, John se muda para Los Angeles e se afunda em álcool e drogas como a heroína. Yoko, numa manobra arriscada, convence sua secretária, May Pang (mil vezes mais bonita que ela), a ficar com John. Incentivado por Yoko, o romance durou pouco, mas, segundo a artista, serviu para que ela soubesse que teria alguém cuidando do ex-beatle.
Durante o tempo em que ficou deprimido em Los Angeles, recebeu a visita de amigos. Entre eles, o principal responsável por afastá-lo do vício em drogas e aproximá-lo de Yoko Ono: Paul Mccartney. Alguns meses depois, sóbrio, volta à Nova York para uma participação no show do amigo Elton John. Elton convidara Yoko para o show também. Ali, John teve o perdão tanto de Yoko quanto de seu público, que o ovacionou.
Viveram juntos até 1980 quando Lennon foi assassinado por um fã. Tiveram um filho de nome Sean.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Stallone: Um lutador

Assim como seu mais famoso personagem, Rocky Balboa, Sylvester Stallone travou batalhas espetaculares em sua vida. Filho de imigrantes italianos, Stallone nasceu em Nova York e, durante seu nascimento, vive sua primeira luta: em uma parto complicado, enfermeiras retiram-lhe com fórceps que mal utilizado ocasionou danos em um nervo que provocaram paralisia facial parcial, o que fez com que Stallone até hoje tenha dificuldades em movimentar os lábios, língua e queixo. Os olhos caídos e a voz que lhe rendem o reconhecimento imediato hoje, foi motivo de muito bullying na infância e adolescência e fez com que o futuro astro investisse muito de seu tempo em exercícios físicos e musculação.
Durante a adolescência, foi expulso de pelo menos 14 escolas e teve passagens por escolas para jovens problemáticos.  Na faculdade, foi desencorajado pelos professores a seguir a carreira de ator.
Ainda jovem, tentou realizar seu sonho de ser ator em Hollywood. Sem muitos dinheiro no bolso e tendo que dormir em  estações de trem, Stallone atuou em  seu primeiros filme: The Party at Kitty and Stud's (1970), um filme pornô de baixo orçamento pelo qual pagaram 200 dólares pelo desempenho, digamos, “artístico” do ator. Algo que o ator não faz questão de mencionar.
Stallone em seu primeiro filme: Um pornô!
Depois da meteórica carreira pornô, tentou outros papéis no cinema. A busca lhe rendeu alguns filmes e muitos papeis secundários até 1976, quando, após assistir à uma luta de Muhammad Ali decidiu trabalhar no roteiro de uma filme sobre a vida de um lutador. Nascia assim, Rocky, escrito em três dias e vendido para ser estrelado pelo próprio ator/autor. Naquele ano, Rocky foi indicado em 10 categorias do Oscar, vencendo as de melhor filme, diretor e edição. Não preciso dizer que o filme foi um grande sucesso de crítica e de público dando origem a uma das mais rentáveis franquias da história do cinema.
Em 1979, nasceu seu segundo filho, Seargeoh Stallone, uma criança autista. O primeiro, Sage Stallone, morreu aos 36 anos, após suposta overdose acidental de medicamentos.
Entre as décadas de 70 e 90, lançou alguns tantos filmes que foram verdadeiros fracassos, salvo pela franquia de Rambo. É um dos maiores campeões do prêmio “Framboesa de ouro”, que elege todos os anos os piores do cinema hollywoodiano.
Em 2006, após três anos sem filmar, decidiu encerrar as franquias Rocky e Rambo com mais dois filmes que lhe renderam boas críticas e muitos milhões de dólares a mais no banco. Em 2010, aos 64 anos de idade, quando ninguém mais esperava que Sly (como gosta de ser chamado) fosse estrelar um filme de ação, Stallone uniu um elenco de estrelas de filmes de ação dos anos 80 e lançou “Os mercenários”, um sucesso de bilheteria. O filme conseguiu a façanha de ser a maior estreia de Stallone nos cinemas.
Em 2012, mesmo após a morte de seu primogênito, lançou a sequência de Mercenários e estreia ainda esse ano o filme “Bullet to the head”. Tem planos de filmar comédia com Robert de Niro, dirigir filme de ação com  Jason Statham e sonha em dirigir um filme sobre um dos seus escritores favoritos: Edgar Allan Poe.
 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Brutus, fili mi!

Cercado por seus conspiradores, atingido por inúmeros golpes, o general lança os olhos marejados sobre  seu único, adotivo e ingrato filho, que portava um dos punhais que o ferira, e pronuncia suas últimas e mais sofridas palavras:
 - Tu quoque, Brutus, fili mi!*
Eu, sem o menor porte de estadista, com os mesmos olhos marejados, reporto-me a ele milhares de anos depois:
 - Tu quoque, Caesar, cur no ego?**

* Até tu, Brutus, filho meu!
** Se até tu, César, por que não eu?

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Os 26 e o bug do computador

No último 29 de julho foi meu aniversário. Completei 26 anos. Não houve festa. Não sei bem porque, mas chega uma hora que ir a um barzinho já é uma comemoração, chapeuzinho de aniversário é brega e velinhas das princesas Disney não são mais para a sua idade. A idade vem chegando, as rugas... enfim, ela chega mesmo.
Naquele fatídico dia, tudo parecia estar dando errado: perdi máquina fotográfica, alguns documentos, um telefone celular velho (que levo na bolsa para enganar ladrão - truque que já me salvou de perder meu celular oficial) e meu computador não queria ligar. Passei uns dias sem meu vício de todos os dias. Levei-o a um técnico que com cara de tristeza me avisou:
 - O computador teve salvação, mas os arquivos dele... Sabe como é, né? Tive que formatar.
Tive um sobressalto:
 - Formatar? Perdi tudo?
 - Infelizmente.
Saí de lá. CPU na mão, pensava em tudo aquilo que teria perdido para sempre: fotos, textos, artigos da pós... um infinidade de coisas que ainda não deu para fazer o balanço de tanto preju. Mas logo depois passei a lembrar da pasta "grandes erros", nas quais guardei fotos, mensagens trocadas pelo msn, prints de facebook, e-mails... Não falo metaforicamente. Havia mesmo uma pasta de arquivos com esse nome! E nela havia todas as coisas que acabei de citar. Uma bobagem, eu sei. Mas nunca consegui excluí-la. Guardava lá a certeza de que naquelas armadilhas eu não cairia mais. Duas bobagens.
Saber que ela desaparecera foi um enorme alívio. De repente, já não me importava com todo o resto que eu perdera. A pasta enorme havia sumido, como um sinal de que muitas coisas deveriam ser apagadas numa data simbólica. E que data simbólica!
Alguns erros não podem ser excluídos assim, como arquivos de um HD formatado. Isso não impede, entretanto, que deixemos aqueles que nada nos ensinam em seu devido lugar: no lixo.
Livrei-me de um grande peso.
Bendito seja o vírus que infectou meu computador!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Top Músicas para falsos amigos

Dia 20 de julho, dia em que esse post foi escrito (o post 100 do blog, diga-se de passagem), é comemorado o dia do amigo. Pois bem, nem todos podem se gabar de ter apenas bons amigos. Às vezes, um ou outro não é lá um bon ami. Para esses seres desprezíveis, dedico estas duas canções:

Tiziano Ferro - Ti voglio bene

Para cantar na cara:
"Não és mais meu amigo"



Bob Dylan - Positively 4th street

Para cantar na cara:
"Sim eu queria isso uma só vez
Que você estivesse em meu lugar
Assim você saberia que desgraça é
Te ver"





Tradução:
"De Fato 4ª Rua"

Você tem muita coragem
De se dizer minha amiga
Quando eu estava por baixo
Você só zombava

Você tem muita coragem
De dizer que tem como ajudar
Você só quer estar
Do lado que ganha

Você diz que eu a deixo por baixo
Mas sabe que não é bem assim
Se você está tão magoada
Porque não mostra?

Você diz perder a fé
Mas isso não bem isso
Você nunca teve fé para perder
E você sabe disso

Eu sei bem porque
Você fala por minhas costas
Eu já fui do tipo
Com quem você anda

Você me acha tolo assim
De pensar que eu contataria
Quem tenta esconder
Que não sabe nem como começar

Você me vê na rua
E age como surpresa
E diz "como está?" "boa sorte"
Mas não é o que você quer dizer

Você sabe tanto quanto eu
Que queria me ver pasmo
Porque não vem de uma vez
E grita que é isso

Não, eu não me sinto tão bem
A ponto de ver as dores que você sofre
Se eu fosse o melhor ladrão
Talvez eu as roubasse

E agora você se diz insatisfeita
Com sua posição, com seu lugar
Você não compreende
Que não é meu problema?

Eu queria que uma só vez
Você estivesse no meu lugar
E que só por um momento
Eu pudesse ser você

Sim eu queria isso uma só vez
Que você estivesse em meu lugar
Assim você saberia que desgraça é
Te ver

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Os 7 pecados capitais em música

Pecar todos pecam. Mas pecar em forma de música é coisa para poucos. Confira abaixo músicas referentes a cada um dos pecados capitais.

1. Preguiça. The lazy song - Bruno Mars



Ápice do pecado:
"Hoje eu não estou com vontade de fazer nada
Só quero ficar deitado na cama
Não quero atender o telefone
Então deixe o recado na secretária eletrônica
Pois juro que hoje eu não quero fazer nada".
 
2. Inveja.  Invejoso - Arnaldo Antunes


Ápice do pecado:
"O carro do vizinho é muito mais possante
E aquela mulher dele é tão interessante
Por isso ele parece muito mais potente
Sua casa foi pintada recentemente"
 
3. Gula. Feijoada completa - Chico Buarque
 
 
 
Ápice do pecado:
"Mulher, você vai fritar
Um montão de torresmo pra acompanhar:
Arroz branco, farofa e a malagueta;
A laranja-bahia ou da seleta.
Joga o paio, carne seca,
Toucinho no caldeirão
E vamos botar água no feijão
".
 
4. Avareza (paixão pelos bens materiais). Diamonds are a girl's best friend - Marylin Monroe
Versão cantada pela bela diva no filme "Os Homens preferem as loiras", de 1957.
 
 
 
Ápice do pecado:
 "Um beijo pode ser grandioso mas não pagará o aluguel
Do nosso humilde apartamento, nem o ajudará com as refeições"
 
5. Ira. St. Anger - Metallica
 
 
Ápice do pecado:
"Eu estou muito bravo com você (x4)
... E Eu quero, que minha raiva seja saudável
... E Eu quero, minha raiva só pra mim
... E Eu preciso que minha raiva não controle
... E Eu quero que minha raiva seja eu"
 
6. Luxúria. Erotica - Madonna
 

Ápice do pecado:
"Erotica, erotica, ponha suas mãos sobre todo o meu corpo
Toda sobre mim"
 
7. Vaidade. Eu me amo - Ultraje a rigor
 
 
Ápice do pecado:
"Eu me amo, eu me amo. 
Não posso mais viver sem mim".
 

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Andy Kaufman e o humor em tempos modernos

Lembro-me de ler uma entrevista na qual o ator e humorista Eduardo Sterblitch, o Freddy Mercury Prateado do Programa Pânico na TV ter dito que o público não sabia o que é bom ou o que é ruim, que o público não pensa e que deveria assistir à TV por ser algo mais fácil. Antes de iniciar a peça Minhas sinceras desculpas, peça da qual desistiu de continuar realizando por "culpa do público", pediu que ninguém fumasse no local para logo mais fumar pelo menos dois cigarros no palco. Engraçado e original. Na verdade não. O que acontece é que, muitos anos antes de Eduardo nascer, o comediante norte-americano Andy Kaufman fazia o mesmo quando travestido de Tony Clifton, um de seus personagens mais famosos e controversos. Não desmereço o ator brasileiro por uma mera referência (o humor vive disso, não?), mas por tantos quadros do Pânico serem tão manjados e que lembram tanto as aventuras de Kaufman no teatro e televisão. Em 2005, por exemplo, o programa de TV pôs um locutor para ler trechos de O guardador de rebanhos, de Fernando Pessoa, o que a crítica julgou como um deboche genial. Não era para tanto. Décadas antes, Kaufman lia para uma plateia ensandecida todo (TODO) o romance O grande Gatsby de F. Scott Fitzgerald. Num ataque de "genialidade", o Pânico pôs uma lutadora profissional para lutar (ou bater) nos integrantes do programa. Engraçado, no final dos anos 70, Kaufman se dedicou à luta livre, lutando com (pasmem) MULHERES! O mais importante não é o que se copia no âmbito do humor no Brasil ou o que a crítica classifica como original. O importante é que se constate que boa parte desse discurso que alguns humoristas fazem como que propondo uma maior reflexão do público ou de não encarar nenhum assunto como tabu é mais velho do que se imagina. A diferença é que no passado, os bons humoristas tinham suas convicções que iam além de IBOPE ou de dinheiro (e falo isso sem o véu da nostalgia que por vezes nos cega). Andy Kaufman foi a contra-gosto para a TV norte-americana e fez de um tudo para não se manter lá (embora tenha trabalhado bastante tempo no Saturday Night Live). Propunha um humor que o público muitas vezes não entendia e que nem ele ousava explicar, apenas ria e se divertia com sua grande traquinagem. Nada era tabu para Kaufman. Ou quase nada, porque Kaufman tinha também assuntos tabus. Adepto da meditação transcendental, Kaufman em plenos anos 70, negou-se veementemente a fazer piadas com drogas em uma sitcom. A ABC, emissora com a qual tinha contrato, não aceitou os apelos de Kaufman para retirá-lo da atração. Sem papas na língua, Kaufman abriu a boca no programa (que era ao vivo) causando grande estardalhaço na emissora aos olhos do grande público que o assistia, como sempre, atônito (assista ao vídeo da cena). Kaufman era genial. Genial porque nunca abandonou suas convicções. Para ele, o mundo era uma ilusão e de uma ilusão só se poderia rir. E riu muito dele: plantou notícias falsas na mídia, contratou atores profissionais para suas "brincadeiras", mentiu para a própria família. Tudo pela diversão. O grande público acabou não achando muita graça e Kaufman, infelizmente, teve que lutar contra o ostracismo no qual era jogado. Em 1984, descobriu que possuía em tipo raro de câncer no pulmão. Ninguém acreditou: família, amigos e tampouco a imprensa. Kaufmam morreu dias depois. Até hoje, os americanos dizem que assim como Elvis, a quem ele imitava divinamente, Kaufman não morreu. Apenas fez mais uma de suas brincadeiras. Isso sim é ser genial. PS. Em 1999, Andy Kaufman ganhou uma bonita homenagem: o filme O mundo de Andy (Man on the moon), estrelado por Jim Carrey e a música homônima do R.E.M.